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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

De manhã, apanho as ervas do quintal

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De manhã, apanho as ervas do quintal.

A terra, ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com
a névoa da madrugada. O mundo, então,
fica ao contrário: o céu, que não vejo, está
por baixo da terra; e as raízes sobem
numa direcção invisível. De dentro
de casa, porém, um cheiro a café chama
por mim: como se alguém me dissesse
que é preciso acordar, uma segunda vez,
para que as raízes cresçam por dentro da
terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul.

 

Nuno Judice

Fotografia de Pedro Cabeçadas