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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

De mim podia falar-te

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De mim podia falar-te… mas não sei
Que não saber é tudo o que te ofereço,
E ao dar-te já recebo o que não tinha.
Mendigo, pela vida, a coisa minha;
A rés do sonho, ao rés do que apareço
Espalhando restos… ente o azul e a grei.

*
Casualmente, com o luar no meio
Esbraceja a minha alma boquiaberta
No naufrágio da onda que me tarda.
Sou mestiço de mim, da voz bastarda
Que lavro em versos, só que em parte incerta
Na batalha que enceto com o receio.

*

Até que todas as coisas sejam mudas
Pela morte que o meu canto há de calar
Direi, aos quatro ventos, que resisto.
A minha voz de amante és tu, oaristo
Como se despe a lua do luar
E as sombras faz maiores,

Manuel Neto dos Santos, do livro "Sulino"
(Alcantarilha)

Fotografia de Diamantino Inácio
(Faro)