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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Soneto

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Tão triste eu ando já, e descontente,
Que meus olhos de todo se fecharam
A visão radiosa que sonharam...
- Um lar, um ninho, e um amor ardente...

Gastei a Mocidade loucamente,
E a alma, ou a perdi, ou m'alevaram,
Enquanto a delirar juntos andaram
Cantando amores, coração e mente...

E andando assim da Fé tão apartado,
E tão sozinho nesta solidão
De quem descrente vive do que amou.

Sou qual um tú'mlo vazio e abandonado,

só encerrando a mesma escuridão...
Sepulcro de mim próprio, eis o que sou.

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Bernardo de Passos
Fonte
"Toda a Poesia: Antologia Poética". Poeteiro Editor Digital. São Paulo, 2015.

Nota pessoal:
Poderia dizer que este autor, após a joeira do tempo, com João lúcio, ambos da transição dos século 19 para o 20 e ambos apoiantes da Republica e, depois com Emiliano da Costa e Cândido Guerreiro, formam um grupo de sotaventinos que, até meados do séc.20, se vão formar na Universidade e regressam, desempenhando profissõe liberais e/ouu no aparelho de Estado. Publicam sobretudo em jornais ou editoras regionais.
Já os escritores barlaventinos da época, Teixeira-Gomes, Dantas ou João de Deus, deixam-se seduzir pela política e só João de Deus é que regressa à terra para aí morrer. A sua dimensão é nacional.
A geração seguinte continuando a joeirar, , a de 61, de Júdice a oeste e Ramos Rosa, Gastão e Casimiro, a leste, vai para a capital para trabalhar e atingir alguma notoriedade.
Diria ainda que estas atitudes pessoais de saída )e regresso) de jovens são paralelas de movimentos e migrções de outros indívíduos nas mesmas condições sociais.
Diria ainda que essa situação de paralelismo se mantem actualment, mas falta agora a joeira do tempo.

Através de Raul Alvito