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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Sou algarvia e vivo à beira-mar.

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Aqui neste Algarve cheio de sol e luz marquei um dia o meu destino numa terra de humildes e heroicos pescadores – a Fuseta.
Aldeia piscatória onde decorreu a minha infância, que conheceu as agruras do mar salgado e sentiu a melodia das ondas nas suas batidas ora amenas, ora agrestes.
Orfa de pai aos quatro anos de idade, foi o meu avô, um humilde pescador, que me ensinou que o mar também tinha poesia, tão profunda como os oceanos, tão melódica como o canto das sereias…
O mar canta p’ra mim a toda a hora, ora batendo a fúria da invernia, ora batendo num acalmia moderadora – os beijos das ondas…
Aqui… da minha açoteia, eu sinto palpitar o meu mar dentro de mim, quando avisto uma gaivota mensageira, um veleiro distante… perdido no horizonte!
O mar vive em mim e me rodeia; sinto a brisa, o marulhar das ondas, o canto das musas, o despertar para a vida, ouvindo o mar, o mar levantino que me acorda todas as manhãs, que me insufla a alma de luz e poesia!
Nem uma onda na sua rebeldia, naquele mar em constante movimento que vai e vem… que vai e volta a beijar sofregamente a areia branca e dourada… deixando cristais em ondas rendilhadas de espuma.
Na crista das ondas me enlaço como frágil batel que avança…
É que este mar que eu senti desde criança, brinca comigo e eu brinco com ele…
No despertar do meus sonhos é sempre o mar que avança dentro do meu ser e lá no fundo extraio as conchas douradas em que escrevi um nome: AMOR! Abro a minha janela ao mar, as portas da minha alma e ao longe cada veleiro de asas brancas devolve-me anseios de chegada e a Poesia grita do outro lado do mar e escreve a mensagem da SAUDADE.

Maria José Fraqueza
(Fuzeta - Faro)

Fotografia da Fuzeta por Isaura Almeida