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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

RUMO AO SUL em 01.10.17

Estendo-te as mãos

  Estendo-te as mãos E colho o canto dos pássaros E dos rios. Estendo-te as mãos E sorvo o gosto do orvalho E das neblinas. Estendo-te as mãos E o que acontece em mim? Sensuais desvarios (...)
RUMO AO SUL em 26.08.17

E se tudo isto não fosse bem assim?

  E se tudo isto não fosse bem assim? Se não fossem os riachos aquilo que julgamos ser; Corpos de água em movimento… E se a brancura fosse apenas a ausência de cor e o silêncio (que (...)
RUMO AO SUL em 26.06.17

Valados musgosos

  Ao pé dos valados musgosos, poderá não haver sol mas haverá, sempre, poesia... Ao pé dos valados musgosos, poderá não haver nem um pássaro, nem a resina dos pinheiros, mas haverá (...)
RUMO AO SUL em 25.06.17

À beira-mar

  Tal como um búzio caído Meu amor À beira-mar Pus na guitarra o ouvido Tive a alma a soluçar Pelo mar Com o mar Foi tão triste essa alegria Vibrando cá bem no fundo ó Meu amor, como (...)
RUMO AO SUL em 20.06.17

Rumor de água

  Onde um rumor de água é só silêncio, Tenho a surdez de mim, rasgada, inteira; Ofereço o ribombar desta maré De mil versos diversos, De canseira; morro de pé. Dezasseis luas altas Um (...)
RUMO AO SUL em 17.06.17

Alentejo

  Sei dos meus poemas como sobreiros em carne viva e de todas as ralações do mundo; dos impérios (des) feitos em cacos e das ideologias como manteiga no focinho do cão, guardando o monte...
RUMO AO SUL em 10.06.17

A Camões

  Ouvindo o que o mar dizia Com a surdez dos olhos meus, Fui escutando…e fiz-me deus Fiz-me ao mar…e fui POESIA. Fiz-me ao sal…e fui Império Fiz-me ao Sul…e fui a gesta. Perdi tudo. (...)
RUMO AO SUL em 08.06.17

Livre!

  Livre! Sou livre como é livre tudo Quanto, por ter nascido, mais não é; Sou livre, nesta força de maré Com que os versos me invadem, a miúdo. Ninguém me prende, nem o Amor sequer;
RUMO AO SUL em 07.06.17

Paisagem

  Deixo habitar, em mim, toda a paisagem; Entra pela pele nervos, pelas artérias E põe nuances, vagas e etéreas Para a descoberta, a breve cabotagem. E eu sou o que contemplo, a vastidão
RUMO AO SUL em 05.06.17

Morre-se por aqui

  Morre-se por aqui, na letárgica maneira de um pássaro sem interesse pelo voo... Sustentamo- nos do ar rarefeito, na raridade do sonho possível de um oceano que espera ser desvirginado (...)
RUMO AO SUL em 03.06.17

Aurora Boreal ao Sul

  Vasculho, ainda, as relíquias das folhas outonais. Como não tem chovido...ei-las hirtas, firmes enrijadas de étimas cores e rebordos de aço. Vasculho, ainda, as relíquias de dias (...)
RUMO AO SUL em 24.05.17

Sulino

  Esse teu segredo Não quero mais nada; Que a nudez rasgada Se mostra sem medo, Na terra deitada. Aberta, despida, Esperando a semente Lançada, e esquecida, Que é parte da gente. O abrolho, (...)
RUMO AO SUL em 31.08.17

O meu poema,

  Um corpo aberto, como os animais: Um potro que galopa a terra e o pó, A ave que se estende para voar. O meu poema, assim, é como o mar Que, ao babar-se, pela praia mete dó… Mas pincela, (...)
RUMO AO SUL em 29.06.17

Corridinho

  Tinha por regra correr, como doido, atrás da vida e na pressa desmedida erguia-se o meu viver. Corria atrás de mim mesmo como de fera evadida; que galope era essa vida, pelas fazendas, (...)
RUMO AO SUL em 27.06.17

Monte Boi

  Ó Monte Boi; retiro com o céu à minha altura. As nuvens, se quisesse, tocava com os dedos. Ninguém mora nas casas, os templos dos segredos da história de outras vidas, constante formosura.
RUMO AO SUL em 25.06.17

De mim podia falar-te

  De mim podia falar-te… mas não sei Que não saber é tudo o que te ofereço, E ao dar-te já recebo o que não tinha. Mendigo, pela vida, a coisa minha; A rés do sonho, ao rés do que (...)
RUMO AO SUL em 24.06.17

Fala mais baixo

  Fala mais baixo, deixa a tarde ser O entardecer crepuscular do ocaso; Se, por acaso, a noite não vier Que possa eu oferecer meu peito raso De luz, sanguínea e triste, como Espanca
RUMO AO SUL em 11.06.17

Ao Sul

  Deixássemos nós fluir, da ponta dos dedos, as carícias dedilhando a demora de uma ausência maior... e tudo, à nossa volta, desabrochava como um terreno inculto, ao Sul. Deixássemos (...)
RUMO AO SUL em 09.06.17

Tudo vale a pena

  De como tudo vale a pena Não há remorso de nada, embrenhado Na cadência dos dias e das noites; Tudo flui, por si e por inteiro. Não lembro o que não tive E do que sonhei ter… ainda (...)
RUMO AO SUL em 08.06.17

À altura do horizonte

  À altura do horizonte, Aceita-me o conselho; Esquece-te de ti, de olhares A ponta dos teus pés. Tu és o todo que contemplas, A reverberação da luz és tu, Na luz que ri… Ou será, de (...)
RUMO AO SUL em 06.06.17

Vou passar a noite com estes dias

(Rosa Alice Branco) Redescobrir-lhes as formas, os contornos e os limites desenhados milimetricamente na postura do olhar atento. Visita-me depois, bem mais tarde, quando, a desoras, o meu (...)
RUMO AO SUL em 04.06.17

Linhas do amor

  Linhas do amor na página da face Dos valados derrocados, pelas fazendas. Ó canto da cigarra tresloucado, Ensurdecendo amêndoas e al- farrobas. Rosa –dos- ventos; Almeixário antigo O (...)
RUMO AO SUL em 03.06.17

Mar sem praias

  Num amor grande como um mar sem praias, Sem os teus beijos, minha pele é sobro. Minha alma, de sal, já tem o dobro Do mar que tem, nas ondas, suas aias. Faço dos versos, rimas, as alfaias
RUMO AO SUL em 03.06.17

Breves Notícias do Silêncio

  O interior da existência de um homem é o oceano mais profundo que possamos navegar; navegar, por dentro de um rumor constante, sob a mestria da lua, para que a melancolia nos surja como (...)