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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Tempo da Lenda das Amendoeiras

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Romance da princesa
Do país dos gelos que
Em terras de moirama
Suspirava contado
Em louvor da fantasia
Dum povo que
Nasce vive e morre
Entre o céu e a água.
(...)

A Princesa

Ai portas do meu silêncio.
Ai vidros da minha voz.
Ai cristais da minha ausência
da terra dos meus avós
desatavam-se em soluços
os seus cabelos desfeitos.
(...)

O Rei

Dizei-me magos oragos
anões duendes profetas
adivinhos e jograis
sagas videntes poetas
como hei de secar o pranto
daqueles olhos de rio
como hei de calar os ais
daquela boca de estio
como hei de quebrar o encanto
que numa tarde de pedra
talhada pela tristeza
selou com dedos de chumbo
o sorriso da princesa
que suspira pela neve
da ponta do fim do mundo.

Ary dos Santos, em "Tempo da Lenda das Amendoeiras", Lisboa, 1964.

Mosaico fotográfico de flores de amendoeira, da autoria de Filipe da Palma