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RUMO AO SUL

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A Moura e os Figos - LOULÉ

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Além desta moura, outra existe também encantada, a meio caminho da Fonte do Filipe, no lugar da Amendoeira, um dos sítios da mesma freguesia.
Consta da lenda que em certa ocasião, há muitos anos, foram dois rapazes buscar água à aludida fonte Quando iam já afastados da mesma fonte com os seus cântaros cheios, apareceu-lhes repentinamente uma formosa mulher de louras tranças estendidas sobre os ombros. Pareciam madeixas de fios de ouro.
Ficaram os dois rapazes surpreendidos com o súbito aparecimento de tão formosa dama. Esta, porém, num sorriso que lhe bailava nos lábios, com uma ingenuidade pasmosa, aproximou-se dos rapazes e convidou-os a servir-se de uns figos, estendidos a secar em uma esteira de palma em que eles ainda não tinham feito reparo.
O mais velho dos rapazes, por desdém ou por qualquer outro motivo, não acedeu ao convite e seguiu o seu caminho; o outro, o mais novo, aproximou-se da esteira e tirou a mão cheia de belos figos agradecendo à mulher a gentileza do oferecimento. Esta quedou-se a olhar para o rapaz que apressava os passos no intuito de alcançar o seu companheiro, que já ia distante. Quando o mais novo quis mostrar os belos figos e se encontrou com outras tantas peças de ouro, ficaram ambos muito surpreendidos. Então o mais novo disse:
— Não quiseste mais perdeste.
— Quem te deu essas peças? perguntou o mais velho.
— São os figos que tirei da esteira.
Maravilhado o mais velho e pesaroso de não ter sido mais delicado com tão rica dama voltou imediatamente pelo mesmo caminho até chegar ao sítio onde encontrou a dama. Esta então num riso azedo e zombeteiro disse ao rapaz:
— Queres figos? queres figos? Devias tê-los levado quando t’os ofereci.
E o rapaz ficou pasmado, sem dizer palavra. A mulher desapareceu nesse momento com a velocidade do relâmpago.
Horas depois era sabido de toda a gente que ali aparecia uma formosa moura encantada. Há centenas de anos que a moura aparece e desaparece. Muita gente a tem visto. Não consta que tenha feito algum mal, não obstante todos evitam passar pelo sítio nas horas adiantadas da noite ou ao meio dia. Diz o povo, na sua linguagem singela, que o caldo de galinha nunca fez mal aos doentes, e por isso evitam encontrar a moura.

Fonte: http://www.lendarium.org/biblio/as-mouras-encantadas-e-os-encantamentos-do-algarve/

Ilustração do livro "Lendas de Portugal", de Fernanda Frazão

 

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