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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

A vida que venha

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Vai por entre a gente
Minh`alma perdida,
E a fome que sente
É a fome da vida.

Que a vida não tenha
Senão mal e dor,
A vida que venha
E seja o que for!

Mais vale ser barco
P`ra raiva do mar,
Que à tona dum charco
Ser flor a boiar.

Mais vale ir ao fundo
Das negras funduras,
Que achar neste mundo
Só rotas seguras!

Me façam Jesus
Na dor e na Glória!
Dos braços da cruz
Me venha a vitória!

Qualquer minha empresa
Que eu veja falir,
Me mostre a beleza
De Alcácer-Quibir...

Que a todo o momento
Eu sinta o açoite
Do vento, em lamento
Nas trevas da noite!

Assim preparado
P`ra mal e p`ra bem,
Espero cansado
E a vida não vem...

Por isso, entre a gente,
Minh`alma perdida
Mais sofre, mais sente
A fome da vida!
Que a vida não tenha
Senão mal e dor,
A vida que venha
E seja o que for!

João Braz Machado (São Brás de Alportel, 13 de Março de 1912 - Portimão, 22 de Junho de 1993)

Fotografia de Pedro Cabeçadas
(Faro)