Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Árvores do Alentejo

1378468_382092321963167_86533327540326137_n.jpg

 

 

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

Florbela Espanca, em "Charneca em Flor"
(Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894)

Arte - Pedro-Buisel
(Alentejo)

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.