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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Ausência

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Nas horas do poente,
Os bronzes sonolentos,
- pastores das ascéticas planuras –
Lançam este pregão ao soluçar dos ventos,
À nuvem erradia,
Às penhas duras:
- Que é dele, o eterno Ausente,
- Cantor da nossa melancolia?

Nas tardes duma luz de íntimo fogo,
Rescendentes de tudo o que passou,
Eu próprio me interrogo:
- Onde estou? Onde estou?
E procuro nas sombras enganosas
Os fumos do meu sonho derradeiro!

- Ventos, que novas me trazeis das rosas,
Que acendiam clarões no meu jardim?

- Pastores, que é do vosso companheiro?

- Saudades minhas, que sabeis de mim?


Mário Beirão, em "Antologia Poética"
(Beja -1890 \1965)


Fotografia - Alentejo por João P. Santos Photography

João P. Santos Photography.