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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Azul p´ra céu e mar

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Primeiro, - azul. Azul p´ra céu e mar,
Em translúcidos tons. Azul cobalto...
A branco, um perfil de asa pelo ar,
Qual sonho nosso de subir mais alto.

Branco, também, nas açoteias
Das casinhas de vilas e aldeias,
E ao alto, em cada uma,
A chaminé de rendas trabalhadas
_ Filigrana sem par
Da mesma cor da espuma
Que o mar deixa, ao beijar
As areias doiradas...

Mais branco, ainda: _ são latinas velas
Que, rumo ao sonho, para o largo vão...
E, de branco e rosa, eis que surgem elas,
As amendoeiras _ mágica visão! ...

Mancha de bruma carregada, Sagres
Evoca a lenda, a aventura, o perigo;
E o verde esp´rança fala dos milagres
Da terra-mãe gerando o trigo.

Verde escuro, as figueiras carregadas;
Da cor do sangue, as rústicas papoilas;
E em oiro ardente
O tom contente
Do sol que brinca, nas estradas,
Com os olhos castanhos das moçoilas...

Oiro, mais oiro. E vermelhão, lilás,
Para dar este Algarve estranho e audaz
Que se espreguiça como um moiro ao sol,
Cantando, doce e mole,
Uma canção de amor!...



João Braz, em "Esta Riqueza Que o Senhor Me Deu..."
(S. Brás de Alportel -13 de março de 1912 \ Portimão - 22 de junho de 1993)

Arte - Albufeira, por José Armando de Lima Dâmaso