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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Entre sombras

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Entre sombras, ao longe, vagamente
Flutua a imberbe aurora, a madrugada,
Pois esta paz suprema, e celebrada,
Faz o meu triste canto mais contente.
O sol não soprará clarim estridente
Na estratosfera rota e nublada.
Pois que assim seja, que a alma vergastada
Repete os devaneios de antigamente.
Manhã de chumbo, e à uma, amornecida
No meu país do Sul, terra esquecida
Do reboliço insano das cidades.
Tudo é sossego e plácido torpor
Guiando os passos meus, sempre ao sabor
Da ânsia das etéreas novidades.

Manuel Neto dos Santos, "36 Poemas Anterianos"
Para Antero de Quental
In memoriam
(Alcantarilha)

Fotografia - Praia dos Caneiros - Ferragudo, por Filipe Santos Photography/Fotografia

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