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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Miragens

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Ah! Como a Vida parecia bela!
Barquinho esbelto, como de cartão,
Deslizando, ao sabor da viração
Num lago azul e calmo, de aguarela!

Pelas margens corria, paralela,
Fragrante multicor vegetação.
No ar, dormente, errava uma canção…
E a Esperança me impelia a vela!

Mas o lago, traiçoeiro, encapelou-se
O meu barquinho, frágil, afundou-se,
E eu, náufrago, abraçado a uma tábua.

Gasto a vida a lutar, ingloriamente,
Pr`a resistir à força da corrente,
Pr´a conservar-se à superfície d´água.
 

Armando do Carmo Miranda, "Almanaque do Algarve", nº. 2, 1943
(jornalista, poeta e cineasta - nasceu em Portimão, em 16 de novembro de 1904 e faleceu no Brasil, em 1975)

Arte - Alvor Algarve, por Eleitão Eduardo