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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Não posso adiar o amor

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Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, em "Não posso adiar o coração" (1974)
(Faro, 17 de outubro de 1924 – Lisboa, 23 de setembro de 2013)

Arte - José Maria Oliveira
(Faro)