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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

O que é que digo à saudade

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O que é que digo à saudade
nas noites em que me deito
e relembro do meu jeito
os dias da minha infância.
Que é feito da tal figueira
onde sempre me escondia
nas horas de brincadeira?
Onde está a velha casa
e o fumo da lareira
e o cheiro dos enchidos
pendurados no fumeiro?
E o pão, tão gostoso,
acabado de cozer?
que comia com prazer?
Onde está a velha eira
de milho louro a secar
que iriamos desfolhar?
E as nossas idas à praia,
com a mula carregada,
junto à ria a descansar
p´ra poder atravessar
depois da maré vazar?
O que é que digo à saudade
da bata branca, do laço,
livros debaixo do braço,
correndo despenteada
p´ra jogar à apanhada?
O que é que digo à saudade
desta saudade sem esperança
de voltar a ser criança!

Alcina Viegas, do livro "Pedaços de mim"
(Tavira)