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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Rústica

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Eu q′ria ser camponesa;
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a Natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha...

Levar o cântaro à fonte
Deixá-lo devagarinho,
E correndo pela ponte
Que fica detrás do monte
Ir encontrar-te sozinho...

E depois quando o luar
Andasse pelas estradas,
D′olhos cheios do teu olhar
Eu voltaria a sonhar,
P′los caminhos de mãos dadas

E depois se toda a gente
Perguntasse: "Que encarnada,
Rapariga! Estás doente?"
Eu diria: "É do poente,
Que assim me fez encarnada!"

E fitando ao longe a ponte,
Com meu olhar cheio do teu,
Diria a sorrir pro monte:
"O cant′ro ficou na fonte
Mas os beijos trouxe-os eu... .

Florbela Espanca, em "O Livro D′Ele", 1915-1917
(Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894)

Fotografia - Alentejana (Sapo fotos)

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