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RUMO AO SUL

RUMO AO SUL

Sabendo que te amo

 

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Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

.
Nuno Júdice, no livro "A Fonte da Vida"
(29 de abril de 1949 . Mexilhoeira Grande)

Fotografia - Artur Pastor "Motivos do Sul". Décadas de 50 a 60. Armação de Pêra.