Vede agora a planura alentejana
Vede agora a planura alentejana,
Duma argila vermelha,
Amassada em suor de trágicos ceifeiros.
Este barro, esta carne em sangue da paisagem
Parece gangrená-la a chaga do sol-posto,
Que fica sobre a linha escura do horizonte,
Por essa noite adiante.
Vagam através dela aparições curiosas
De mouros a cavalo;
E a sua manta regional, garrida,
Espalhando no ar as tintas inflamadas.
De longe a longe, um denegrido cume
Põe, em alto relevo, o drama das charnecas...
Duma argila vermelha,
Amassada em suor de trágicos ceifeiros.
Este barro, esta carne em sangue da paisagem
Parece gangrená-la a chaga do sol-posto,
Que fica sobre a linha escura do horizonte,
Por essa noite adiante.
Vagam através dela aparições curiosas
De mouros a cavalo;
E a sua manta regional, garrida,
Espalhando no ar as tintas inflamadas.
De longe a longe, um denegrido cume
Põe, em alto relevo, o drama das charnecas...
Teixeira de Pascoaes
Fotografia - Ricardo Zambujo Photography